25 de fev. de 2010

Capítulo VI - Lição

Sangue, muito sangue. Sangue de pessoas que antes eram minhas amigas, de pessoas que gostavam da minha compania e que agora estão amontoadas entre si, sem vida. O truque para capturar o Dark Messenger talvez dê errado, pois quem me ver naquela situação vai se perguntar: "Por que ele é o único vivo?" e achará que fui eu quem matou todos os outros e, de certa forma, até estará certo, afinal, fazia parte do plano para me salvar. Agora, pelos meus amigos mortos, eu posso apenas chorar.

Luana ainda estava nos EUA pois os funcionários do FBI não queriam acreditar na história do D.M., por tanto, o massacre escolar em Tóquio será a única prova instantanea capaz de fazê-los compreender a realidade.
-O meu amigo vai morrer! - berrou Luana.
-Garota, procure um psicólogo. - falou uma funcionária.
-Olha, deixe a TV no canal de notícias, agora!
-Tá, tá. - ela colocou no canal de notícias internacionais, mas ainda não havia notícias sobre o massacre - Viu? Nada!
De repente, as notícias que passavam foram interrompidas e meu rosto apareceu frente as câmeras de Tóquio.
-O que aconteceu naquela sala? - perguntou um repórter.
-M-m-m-morte... S-s-s-sangue... - eu era incapaz de organizar minhas palavras e Luana logo percebeu que eu estava traumatizado.
-Ichi... - pensou ela, com pena da minha situação.
-Chamem o grupo de pesquisas especiais e mandem agora para Tóquio! - berrou a funcionária após ligar para alguém e depois desligou na cara da pessoa - Desculpe-me por não ter acreditado...
-Se ele for salvo, eu te perdoo.
Quando a polícia japonesa entrou na sala de onde me retiraram completamente traumatizado, ficaram surpresos ao ver que todos os alunos foram assassinados com apenas um tiro na cabeça, sem mais nenhum arranhão sequer.
-Trata-se de um verdadeiro assassino. - especulou um dos detetives.
Os policiais e os detetives não paravam de discutir sobre teorias sobre o que aconteceu até que um deles olhou para mim e dirigiu-me a palavra:
-O garoto deve saber de alguma coisa.
Não faziam idéia de com quem estariam lutando, mas todos estavam dispostos a lutar. Guerra? Talvez não; nunca se sabe o tamanho de uma determinação em grupo.
-E-e-e-eu... Eu tenho a resposta. - respondi - Mas me prometam que vão me proteger!
Todos olharam-me com olhares confusos, mas, meu pedido fazia sentido: fui o único a sobreviver.
-Certo, prometemos. O que houve aqui, garoto?
-Dark Messenger. - iniciei, mas fiz uma breve pausa para formular uma frase - Tudo começou quando recebi um e-mail do Dark Messenger.
-O que é Dark Messenger? - perguntou um detetive.
-Suspeito... Aliás, tenho certeza de que é um grupo de assassinos que no passado eram agentes secretos...
-O que eles queriam com você?
-Iniciar um jogo.
-Jogo?
Nessa hora, fiquei com medo de falar sobre o jogo e depois ser condenado como cúmplice ou culpado pelas mortes já ocorridas, mas, tinha de ser feito, tinha de ser explicado:
-S-sim... Um jogo de vida ou morte.
Explicar sobre o jogo criado pelo Dark Messenger não foi tão difícil quanto achei que seria. Mais pareceu um desabafo de muitos anos do que uma denúncia rescente de apenas cinco minutos de duração. Agora, o plano B está em ação e todos estão trabalhando para capturar o D.M.
-Ichirou! - gritou Luana, correndo em minha direção para me abraçar - Achava que nunca mais te veria! - falou ao me abraçar e chorar simultaneamente.
Quando o FBI especial chegou, todo o clima mudou: forças japonesas trabalhando com forças especiais norte-americanas? Essa notícia ecoará por todo o planeta depois que capturarem o grupo criminoso.
Em alguns instantes, encontraram a região de onde vinham as mensagens do Dark Messenger e encontraram conexões adversas por toda a cidade de Tóquio: muitas pessoas faziam parte do grupo.
Quase todos os integrantes foram presos, menos o principal: o chefe fundador do grupo. Quando chegaram ao local, havia uma mensagem para mim, escrito na entrada da casa, na parede:
"Olá, Ichirou.
Devo parabenizar-te por ser o primeiro a levar o jogo até
esse nível. De agora em diante, estarás livre da maldição do jogo. Aproveite e
tente criar boas memórias e conhecer muitas pessoas, não se deixe encurralar
novamente pela ingratidão de não valorizar até mesmo quem não te valoriza.
Atenciosamente,
D.M."

-Finalmente... FINALMENTE! - gritei acompanhado de Luana. Estava tão cansado que desmaiei.
-[TRÊS ANOS DEPOIS]-

-Luana, cheguei! - gritei enquanto abria a porta de casa, fazendo uma estranha referência a um desenho animado cujo nome não recordo.
-Bem-vindo de volta, amor! - respondeu Luana.
Nós estamos namorando e morando juntos desde que vencemos o jogo do Dark Messenger. Parece que, no fim, havia um pouco de felicidade à minha espera. Fui até o nosso quarto para abracá-la, como sempre, e a encontrei usando o meu notebook.
-Hey, você tem o seu!
-Fiquei com preguiça de pegar o meu...
-Tá bom... Abre meu e-mail aí.
Quando Luana acessou a minha caixa de entrada, vimos algo que deu até calafrios: "Você foi escolhido!".
-Será? - nos entreolhamos com um olhar medroso, traumatizado por tempos infernais cujas lembranças nos trazem tristeza e sofrimento - Deleta isso!
Mesmo sem saber do que se tratava, apagamos o e-mail. Aprendemos uma lição muito importante: ser o escolhido pode parecer legal, mas, o custo é extremamente alto, justamente porque te escolheram e não porque você optou ser escolhido.
-~[FIM]~-



[Comentários do autor]

AAAAAAAAAAAAAH!
Pessoal que lê e não comenta @_@ tenta comentar vei D=
Eu tenho idéias pra fazer uma pequena continuação do Death Mailler, fazer
tipo uma segunda temporada (-q), mas só se receber mais de 20 comentários
dizendo que querem +. e_e
Caso contrário, esse será o fim definitivo D=

Bem, tenho que admitir que gostei muito de escrever essa história... Só não continuei fazendo caps pq, como podem ver, minha imaginação fez meio que uma auto-exclusão. Eu fui fechando e fechando os casos, e se eu fosse arranjar um meio do Dark Messenger escapar e continuar o jogo, seria impossivel... Até pq Ichirou quebrou várias regras, e se o jogo continuasse, seria uma continuação onde Ichirou seria fugitivo pra sobreviver ao julgamento final do D.M.'

A idéia até é interessante, mas eu pensei em simplesmente terminar... Até pq só vi um comentário nos caps, ngm fala nada, nem dá opiniões sobre o que pode vir no próximo... Então encerro por aqui.

Espero mesmo que tenham gostado ! ;D
Atenciosamente,

Kiko//

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23 de fev. de 2010

Capítulo V - Sucesso...?

Para criar um plano, devemos conhecer todas as chances de erro para evitar um possível fracasso e, caso a possibilidade seja grande, manter às escondidas um plano B e um plano F, de Fuga. Mas, minha situação é completamente diferente. Sou forçado a praticar estúpidas estratégias de guerra contra gênios; meus valentes soldados são minhas próximas vítimas e meus movimentos são baseados no futuro da minha própria sobrevivência, porém, dessa vez, não estou mais sozinho.

-Luana...
-Oi? - respondeu ela, ainda sentada em meu sofá.
-Eu tenho um plano, mas antes preciso tirar algumas dúvidas...
-Fala, ué?
-O Dark Messenger é, de fato, um grupo?
-Não tenho certeza... Mas tudo indica que sim...
-Minhas próximas vítimas deverão ter conexão com John...
-Quem é John? - interrompeu-me Luana.
-Minha última vítima...
-Ah, certo.
-Continuando... Eu também devo conhecer minhas próximas vítimas... Luana...
-Fala de uma vez.
-Quero que me faça um favor.
A tarde chega ao fim e a noite é uma criança sem medo de aventuras. Todos - ou quase todos - aproveitam a noite para fazer o que não podem quando estão trabalhando ou estudando, ou seja: sair, relaxar, divertir-se, beber ou simplesmente verificar a caixa de entrada de seu e-mail. Infelizmente, os outros 27 alunos da minha classe lerão a mensagem da morte que os sentenciará para o dia seguinte. Desse modo, serei o último aluno vivo presente em minha classe, o que indicará aos agentes federais que eu serei o próximo a ser assassinado ou que todas as mortes têm alguma ligação a mim. Assim, a polícia japonesa terá de me vigiar e eu pararei de acessar o endereço eletrônico da morte, sendo a isca perfeita para os monstros assassinos. Como sei que eu quebraria a décima regra, também sei que eles conseguiriam quebrar a segurança japonesa apenas para me matar, então, por que não quebrar todas as regras?
Pedi para Luana ir aos EUA para fazer uma denúncia ao FBI e alertá-los de que eles haveriam pouco tempo para salvar os alunos ou a mim, tratando-os como plano F. Logo, quando a polícia japonesa me tirasse da sala de aula para colocar-me em uma sala de vigilância contínua, eu falaria tudo sobre o Dark Messenger e ficaria na esperança de que os policiais acreditassem e pesquisassem tudo para finalmente capturar o grupo mais assassino de todos os tempos. Agora, bastava-me apenas esperar, mais uma vez. Porém, sem mudança de planos ou reviravoltas. Se algo der errado, este será o meu fim.
-"Um xeque nem sempre é mate." - pensei - Vão achar que desisti do jogo... Só espero que não percebam que é um truque de contra-golpe.
Eu era capaz de sentir meu coração pulsar fortemente e não conseguia dormir para passar o tempo. Sabia que no dia seguinte poderia ser o último, ou apenas um dia vitorioso mesmo com muitas mortes, tudo dependia do amanhã e dos meus movimentos.
-E se percebessem o plano e viessem me matar ainda hoje? - pensei - Eles estariam estragando o jogo, acho que não fariam isso.
Luana já havia viajado e não havia ninguém para conversar naquela noite. Mesmo com pouco tempo, já gostei da compania dela. Uma garota inteligentíssima com experiência em atividades de própria sobrevivência? Muito raro. Será que haveria algum risco para ela nessa viagem? Ela iria abandonar a parte dela do plano para se salvar? Não sei, basta-me esperar pelo amanhã.
Olhava para o relógio da parede e notava o som que fazia dos segundos que passavam, pareciam cada vez mais lentos. Estaria eu alucinando ou isso é efeito do nervosismo?
-Ah. - suspirei - Que se fo##! - larguei minha besteira de nervosismo e consegui dormir.
O tempo passou rapidamente. Quando acordei, nem lembrava do plano que havia iniciado na noite passada, parecia simplesmente mais um dia normal antes de tudo isso com o Dark Messenger. Nem toquei no notebook, fui direto ao chuveiro para arrumar-me para ir à escola. Depois de tudo que havia para fazer em casa, saí e fui para o colégio, logo em frente.
Entrei na sala de aula, tudo estava normal. Era dia do professor Wolf dar aula de filosofia pelo resto do dia, mas parece que ele faltou e colocaram em seu lugar um professor substituto.
-Olá, turma. Sou o professor de filosofia substituto e vocês podem me chamar de Cafezinho.
-Cafezinho? Que nome estranho é esse vá?! - falou Bernado.
-Não é nome, falei que podem me chamar.
-IÊÊÊÊ -berrou a turma.
-Ah, vai se fu##r!
-Como é? Bem, voltando ao assunto. Parece que o professor de vocês sumiu. Ninguém tem notícias dele, alguém falou com ele rescentemente?
-E-eu... - falou Laís, levantando a mão para ser notada - Ele parecia nervoso... Mas não me contou nada...
-Qual sua relação com Wolf? - perguntou Cafezinho.
-Todo mundo sabe que eles têm uma relaçãozinha amorosa! - berrou Bernado.
O professor andou vagarosamente até a porta e a trancou e depois foi andando pela sala, fechando janela por janela até que apenas a luz das lâmpadas pudesse iluminar a sala.
-Bem... - fala o professor, olhando para o relógio. - São 07:24...
Nesse instante, lembrei da noite passada. A primeira vítima da sala que iria morrer era a Laís, e sua morte foi marcada para 07:25. Não havia escrito onde ela morreria, apenas a hora, o que significa que ela estava prestes a morrer e provavelmente por Cafezinho.
-O que é que tem esse horário? - perguntei ao professor.
-Eu creio que você já tenha entendido, senhor Ichirou. - respondeu com um olhar sombrio.
Todos olharam para mim com olhares curiosos de pessoas que não faziam idéia do que estaria prestes a acontecer. Ele mesmo mataria os outros 27 alunos da sala? Achei que fossem mandar mais de uma pessoa para matar cada um dos alunos, não que fossem matá-los na minha frente, um por um.
-Senhorita Laís...
-S-s-sim...? - respondeu com muito medo do olhar do professor.
-Receio que seu amor com o professor Wolf se acabe nos próximos 30 segundos...
-P-p-p-por quê?
-Você irá morrer. - respondeu Cafezinho, sacando uma arma e apontando para Laís.
-OH, MEU DEUS! UMA ARMA! - gritou Bernado - UMA ARMA! UMA ARMA! UMA ARMA! AAH!!!
-AHHH! - gritou o restante da turma que se afasta rapidamente de Laís e se jogam nos cantos da sala enquanto apenas Bernado tenta arrombar a porta.
-P-p-p-p-p-p-p-p-por q-q-quê?! - gritou Laís, chorando.
-Porque Ichirou mandou que a matasse. - todos da sala olharam para mim - Ele ordenou que eu matasse todos vocês!
Eu conhecia muito bem os olhares que faziam para mim. Eles queriam me matar ali mesmo, em tapas e socos. Queriam devorar o meu corpo e fazer da minha alma um passo para o inferno.
-Vivenciar isso não fazia parte do plano! - gritei em minha mente.
-POR QUE FEZ ISSO COM A GENTE, ICHIROU?! POR QUÊ?! - berrou Bernado - O QUE FIZEMOS DE MAL A VOCÊ?!
-Não foram vocês... Esse maldito faz...
-Epa, Ichirou. Se quebrar uma das regras eu te matarei bem aqui e todas as suas vítimas estarão livres. Conte-os e eles ficarão livres, mas você morrerá. - falou Cafezinho, interrompendo-me.
-DO QUE ELE TÁ FALANDO, ICHIROU?!
-Maldição... - pensei - Não posso acabar com o plano perfeito agora, por causa deles!
-07:25... Adeus, Laís. - falou Cafezinho, disparando um tiro perfeito na testa de Laís.
-AHHHHH-HHHH-HHHHH-HHHHHHH!!! - gritou a turma entre soluços e choros.
-O próximo alvo será... Lucas. Cadê você Lucas?
Lucas não se mostrou. Ele sabia que se mostrasse o próprio rosto ou respondesse ao professor, seria morto.
-Se não vai aparecer, eu faço aparecer! - berrou Cafezinho - Todos aqueles que estiverem perto de Lucas, se quiserem ser salvos, afastem-se dele!
Nesse instante, um grupo pulou para longe de Lucas, deixando-o abaixado sozinho.
-Bem, foi um blefe. Todos ainda irão morrer. HAHAHAHAHA! Adeus, Lucas.
Assim, foi seguindo a tarde: alvo por alvo, um a um, cabeça por cabeça. Nunca estive preparado para ver esse massacre e não sabia que um tiro na cabeça pudesse causar tantos traumas visuais. Eu vi alunos inteligentes e alunos idiotas sendo assassinatos com tiros certeiros em suas testas. Deu para sentir a fúria que os últimos tinham de mim, olhavam-me com o pensamento de "ASSASSINO! ASSASSINO!", quando, na verdade, os verdadeiros assassinos são os membros do grupo Dark Messenger. Claro que eu também tenho um pouco de culpa, mas nada disso aconteceria se não me envolvessem em um jogo onde ou eu mato, ou eu morro. Deveria haver alguma lógica nisso, mas acabo de perceber que já troquei 30 vidas pela minha, se apenas eu morresse, teria salvo 30 vidas.
-Isso já deveria ter acabado... - pensei, chorando.
-Mortes bem sucedidas. - falou Cafezinho enquanto destrancava a porta da sala para ir embora sem ser notado - Tenha um bom dia, senhor Ichirou.
Eu apenas olhava fixamente para o chão, entre o que parecia ser uma piscina de sangue numa sala de aula. Eu era o único vivo e também o único traumatizado. Nada mais me vinha em mente, apenas:
-"ASSASSINO! ASSASSINO! POR QUE TINHA DE SER ASSIM?! ASSASSINO!"
-Luana... CADÊ VOCÊ?!

-[CONTINUA]-
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22 de fev. de 2010

Capítulo IV - Plano B

Abrir os olhos antes de acordar é uma das atitudes mais normais dos seres humanos. É como se você despertasse mas continuasse a sonhar, o que faz dos seus olhos inúteis perante ao que estiver acontecendo na vida real, até que deixe de sonhar. Assim, acordei sem perceber que estava olhando diretamente para a luz da lâmpada que deixei ligada durante a noite toda.

-Ai! - pensei ao virar o rosto contra a luz - droga de lâmpada!
Joguei a almofada para cima e acertei sem querer o ventilador de teto que caiu no chão e teve duas de suas hélices quebradas.
-Ah, hoje não é meu dia! Que saco!
Levantei da cama e percebi que o alarme do despertador estava desligado, porém, não lembro de tê-lo desligado. Quem o desligou?
-Dark Messenger! - pensei ao grudar-me na parede para verificar a casa silenciosamente com o máximo de cautela.
Em passos silenciosos na escuridão, percebi que não havia ninguém nos quartos e nem na sala, então parei para pensar um pouco mais sobre o alarme do despertador.
-Hum... Eu esqueci a luz ligada... Acho que esqueci de ligar o despertador também... Haha, como sou idiota...
Peguei minha toalha e invadi o banheiro, porém, assustei-me ao ver uma mulher desmaiada, em meio ao que parecia ser uma poça de sangue, mas, não havia nenhum corte em sua pele.
-Mas que...?!
Levantei suas pernas para que seu sangue fluísse com mais facilidade em direção ao cérebro, desse modo, ela poderia recobrar sua consciência cedo ou tarde. Só não entendo de onde veio aquele sangue ao redor dela. Seria ela a mulher envolvida nas mortes do Dark Messenger?
-Ei, ei, ei. Acorde. Vamos. - falei enquanto batia em seu belo rosto - Ei, ei, ei. Oooi? Acorda logo peste.
Já estava perdendo a paciência. Fui até a cozinha, peguei o grande saleiro que guardo desde a geração dos meus pais e joguei meio quilo de sal na boca dela. Duvido que não acorde em instantes.
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! - acordou.
Joguei um litro de água na cara dela para dissolver o sal e não queimar sua língua. Consequentemente, ela enguliu e respirou um pouco de água salgada.
-Desculpe, mas foi o único meio de te acordar... O que faz aqui?
-Cof cof - ainda tossindo e cospindo o restante do sal - Você é louco?!
-Eu é que pergunto. Acordo cedo e encontro uma mulher numa poça de sangue em meu banheiro. Quem é o louco aqui? De onde veio esse sangue? O que faz aqui? Quem é você?!
-Calma! Uma pergunta de cada vez!! - disse ela, engolindo o restante de água com sal em sua boca - Eu me chamo Luana, estou aqui para te ajudar na disputa contra o Dark Messenger.
-O quê? Como você sabe sobre ele? E existe uma regra que diz que não posso aceitar ajuda para jogar...
-Errado, você ainda não chegou nesse nível. A regra que você pensou fala que você não pode PROCURAR ajuda externa, mas se a ajuda externa lhe aparecer, você pode aceitar.
-Er... Como você sabe disso tudo?
-Eu sou... uma sobrevivente do jogo.
-Sobrevivente?! - pensei - Há sobreviventes do jogo?! Nunca pensei nisso!
-Há dois anos atrás, recebi a mensagem que você recebeu do Dark Messenger. Não consegui desvendar quem é e muito menos capturá-lo, mas consegui enviar vítimas até vencer o jogo... Perdi muitos amigos por causa dele!
-Você não soube jogar, apenas deixou seguir em frente...
-Não era muito boa de raciocínio... Mas andei estudando estratégias só para derrotá-lo!
-Então já deve saber que há uma probabilidade de que o Dark Messenger não seja apenas uma pessoa, e sim um grupo de crime organizado, certo?
-Sim, como também sei que as pessoas que participam do grupo são desordeiros dos maiores grupos de agentes secretos do mundo, o que deixa bem claro que eles têm a melhor tecnologia e os melhores asssassinos.
-Como assim?!
-Depois você entenderá... Sua casa é o único lugar seguro para mim. Você tem que se arrumar para ir para o colégio...
-É mesmo! - falei, empurrando-a para fora do banheiro - Mas antes... De onde veio esse sangue?
-Sabe como é... Menstruação impulsiva... Se você não acordasse eu poderia estar morta.
-Er... que nojo... Depois você vai limpar tudinho. Fui.
Uma aparição repentina durante a manhã acaba de mudar todos os meus planos. Se ela aparecesse antes de eu condenar o John à morte, uma vida estaria salva nesse instante, mas, não posso mais salvá-lo e muito menos alertá-lo sobre ser assassinado. Então, fui tomar banho sabendo que cedo ou tarde receberia uma mensagem do Dark Messenger, afinal, não irei para o colégio para tomar conta dessa garota que invadiu a minha vida.
-Droga... - pensei enquanto ligava o chuveiro.
Enquanto eu tomava meu banho no banheiro do meu quarto, Luana aparentava estar bebendo água, muita água. Seria algum remédio ou haveria relação com a menstruação impulsiva? É, a vida feminina é muito complicada para mim, prefiro terminar de tomar o meu banho e sair ileso.
Após tomar o banho de gato, vestir uma roupa leve e escovar os dentes, saí do banheiro ainda sujo de sangue e me assustei ao vê-la deitada em minha cama, assistindo um seriado que passava em minha televisão.
-Que folgada...
-Ah, desculpa... Você se arruma muito rápido, sabia?
-Sim... Por isso que acordo vinte minutos antes da hora do toque do colégio...
-Falar nisso, você não vai pro colégio?
-Não, vou ficar tomando conta de você. Não é bem educado deixar uma mulher sozinha.
-Você acha que eu ligo? Pode ir, rapaz...
Ignorei o comentário e fui comer alguma coisa, estava faminto.
-APROVEITA E LAVA O BANHEIRO, SENHORITA "FAÇO TUDO SOZINHA". - berrei da cozinha.
Com um pão, um presunto e um copo de suco de laranja, fiquei satisfeito o suficiente para acessar a internet pelo notebook. Já eram 07 horas e 20 minutos, o que significa que John já deveria estar morto. Então, ao abrir a caixa de entrada, havia uma nova mensagem, entitulada: "Morte bem sucedida.".
-Então já caiu na armadilha? - pensei.
"Olá, Ichirou.
Esta é sua terceira morte bem sucedida. Sua vítima se chamava John Eliot e
recebeu 11 facadas no peito. Seguindo o padrão do jogo, segue abaixo as novas
regras:
9# Você deverá conhecer suas vítimas antes de enviar o e-mail da
morte;
10# Se você jogar em dupla, o tempo de assassinato cairá para uma vítima a
cada dois dias;
É perceptível que és um bom jogador, a cada morte, o jogo trata de ficar
mais interessante.
Atenciosamente,
D.M."


As novas regras apareceram como se o Dark Messenger já soubesse que a Luana entrou na minha vida. Há uma probabilidade de que ela faça parte do crime organizado ao invés de ser apenas uma sobrevivente, mas, não há nada que prove sua culpa, então, ficarei apenas em alerta.
Deixando as regras de lado, tratei de procurar pelas gravações das câmeras que registraram tudo o que aconteceu na frente do colégio às 07:00 a.m. e me assustei ao ver que todas as câmeras congelaram no tempo de 06:55 à 07:05. Quando a câmera congelou, John ainda não havia aparecido, e quando voltou, ele já estava morto e várias pessoas estavam ao redor, por isso, não deu para saber quem o matou.
-Droga! Fui pego pelo Dark Messenger de novo!
-Eles costumam fazer isso. - falou Luana, aparecendo atrás de mim - É como eu disse, eles têm uma tecnologia absurda.
-Acabou de chegar a nona e a décima regra...
-Já?! Então teremos de ser mais cautelosos ainda, as próximas regras virão uma por uma.
-São quantas regras no total?
-Cinquenta...
-Isso significa...
-Que falta quarenta vítimas para você vencer o jogo. Temos de criar um novo plano e rápido, temos apenas dois dias para escolher uma vítima e deve ser uma vítima que tenha alguma ligação com a anterior!
-Sim...!
Luana sentou no sofá da sala e ficou pensando enquanto olhava fixamente para a janela ou para o que havia por detrás dela: uma bela árvore. Ela já passou pelo que estou passando e já sofreu o pior que foi mandar o e-mail da morte para seus amigos, sabendo que em breve seriam assassinados, por tanto, ela já deve ter pensado muito em como capturar esse grupo, até mesmo mais que eu.
-Er... - Luana olhou para mim e parecia ter uma dúvida grave - Er... Qual o seu nome?
-AH, não me apresentei?! Er... Sou Ichirou, pode me chamar de Ichi.
-Certo... Ichi... O que acontece se você escolher uma vítima e no e-mail da morte colocar o endereço da vítima e como horário colocar "a vítima será assassinada vinte dias após acessar o e-mail"?
-Bem... Não há nada que proíba-nos de fazer isso... Só que teremos de continuar escolhendo mais vítimas a cada dois dias.
-Daí você faz o seguinte: primeira vítima, em 40 dias. Segunda vítima, em 39 dias. Terceira vítima, em 38 dias. Daí você teria tempo de escolher as quarenta vítimas sem quebrar nenhuma regra e venceria o jogo.
-Wow. Isso parce uma jogada de mestre!
-Hah... Obrigada...
-Mas não estou jogando simplesmente para vencer... Eu quero capturá-los!
-Foi o que pensei. Não há como ganhar tempo mandando alguém morrer 20 dias depois, pois ainda há o tempo mínimo para a próxima vítima. Regras desgraçadas...
O plano de Luana foi ótimo, poderia haver alguma maneira de usar esse plano ao nosso favor, para capturar o Dark Messenger. Foi nesse momento que me veio em mente um PLANO B.
-[CONTINUA]-
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21 de fev. de 2010

Capítulo III - Golpe contra o mistério

Duas vítimas já se foram, não sei quantas irão morrer para conseguir conquistar minha liberdade e consequente vitória. Será que em alguma situação eu já passei por algo parecido? Creio que não e também não acho que isso seja algo normal, mesmo no infernal e violento dia-a-dia. Minha real suspeita é que o Dark Messenger é na verdade uma mulher, uma que precisa criar um falso jogo para satisfazer sua sede por sangue e sua falta de sexo ao mesmo tempo que pratica suas inúteis habilidades com assassinato. Se ela faz isso para virar lenda histórica, já poderia parar por aí, criaria muito IBOPE para as rádios e canais de televisão.

Mas para se sair bem nisso, ela teria de ficar viva, o que acaba virando um jogo de xadrez: para sua sobrevivência, diversão, popularidade e audiência, ela precisará prever meus pensamentos e movimentos, encurralar-me de um jeito que tudo que ela planejou aconteça e que os alvos que eu escolha já fossem alvos que ela imaginou serem os próximos. Se por um acaso eu conseguir surpreendê-la com uma jogada de contra-golpe e desse o xeque mate, talvez ela desistisse e me desse a liberdade por descobrir que está jogando com alguém superior ao seu nível lógico. Então, eis a questão: como conseguir surpreendê-la?
A noite foi muito longa, eu mal percebi que já haviam se passado horas e que todos os meus pensamentos viraram sonhos. Pude acordar cedo, o que me deu muito tempo para me arrumar para ir à escola e até mesmo para dar uma checada nos próximos alvos do Dark Messenger. Por sinal, eu deixei o notebook ligado e conectado, o que não é normal. Eu realmente caí no sono na noite passada, nem imaginava que estava tão exausto em tão poucos dias, talvez pela perda do meu melhor amigo.
Voltando às minhas pesquisas, procurei no Google por "contato hacker" e achei logo de cara um "Portal Hacker". O contato para o provavel criador era "hackerderede@yahoo.com.br" e achei mais do que legal enviar esse e-mail para o Dark Messenger. Como será que ela encontraria um cara que nem se sabe onde ele está? Mas, não enviei o e-mail, pois existe um limite de 3 dias para que a vítima leia e, caso não aconteça, eu perderia o jogo. O que fazer?
-Droga! - pensei - Essas regras limitam as minhas jogadas... Ainda tenho mais três dias para achar uma vítima, posso enviar a mensagem no último dia e prolongaria mais três dias de vida caso a vítima não lesse a carta... Mas que droga!
Tentei acessar minha caixa de entrada para re-acessar os e-mails para ler as regras e me assustei pois havia apenas um e-mail, entitulado: "As regras estarão listadas aqui.".
-Além de brincar com minha vida, ainda invade meu e-mail, desgraçada?! - pensei.

"Olá, Ichirou.
Métodos de segurança permitem-me que eu invada seu e-mail
a qualquer hora.
Quero avisar-te que estarás sob vigilância contínua, então,
cuidado com seus movimentos. Uma única regra quebrada levará-te à perda do jogo.
Aqui estão regras:
1# Nenhuma regra pode ser quebrada;
2# Nunca mencione este e-mail;
3# Para
que a morte seja bem sucedida, a vítima deverá acessar o e-mail no
máximo em
3 dias;
4# Você deve ter no mínimo uma vítima a cada 4
dias;
5# Não permita que ninguém mais utilize este e-mail;
6# Não procure por ajuda externa, nem por meio de
trocadilhos;
7# Não envolva pessoas famosas, vigiadas ou
agentes secretos;
8# A partir de agora, todas as mortes
deverão ter uma conexão;
Aproveite o restante do tempo."


Minha vida parecia estar cercada por anjos e demônios, se é que existe um lado angelical nisso. Percebi que não havia vítimas fáceis de se encontrar antes de ir ao colégio, então deixei para depois e me arrumei para sair de casa e correr porque não me toquei que o tempo passou absurdamente rápido.
-Bom dia, Leila. - disse para a professora antes de chegar à porta da sala de aula.
-Bom dia, Ichi... Quase chega atrasado, hein?
Entrei na sala e fui para o "fundão", o lar dos conversadores da sala. Quando não há coisas interessantes na aula, os alunos vão para lá para "trocar idéias", assim por dizer.
-Na aula de hoje... - inicou Leila...
-ESPERA! CADÊ O MEU BOM DIA?! - berrou Bernado, um dos alunos mais chatos.
-ÊÊÊÊÊ - berrou o resto da turma.
-Bernado, se quiser levar suspensão, hoje estou de bom humor para isso.
A atitude da professora me levou a uma conclusão: as mulheres sofrem de stress contínuo e descontam nas pessoas mais improváveis.
-Peraí, será que estou sendo uma simples descarga de stress de alguma mulher? - pensei.
-Como vinha dizendo... - a turma ficou completamente em silêncio - Na aula de hoje, entenderemos como funciona o pensamento que sempre existiu dos Serial Killers.
-ÓTIMO! - pensei - Era justamente o que queria entender!
-Creio que todos sabem que para se tornar um Serial Killer, você deve matar no mínimo trinta pessoas e gostar de matar. Mas o que leva a um ser humano gostar de matar?
-Stress demais que nem a senhora! - falou Bernado.
Nesse momento eu pensei que Bernado fosse superficial demais para pensar que realmente fosse isso, mas lembrei que eu pensei a mesma coisa momentos atrás. Estaria eu sendo superficial demais para jogar este jogo?
-Talvez... O fato de perder algo extremamente valioso quando ainda era criança?
-Boa resposta, Ichi! Alguns assassinos nascem a partir disso, vira um passatempo...
-E não conseguem mais parar? - interrompi.
-Er... Exatamente... Só param se forem assassinados, não há cura. Podem mudar de alvo por sua segurança ou até mesmo se arriscar para ter mais diversão. São realmente problemáticos... Por que se interessa tanto, Ichi?
-Bem... - tentei inventar algo - O Lyu foi assassinado... Seria possível que fosse um serial killer?
-Pelos aspectos que foi assassinado, não. Por que acha isso?
-Parece que foi muito bem planejado... Assassinado em casa, não deixou nenhuma pista... Não há registros de conversa, nem nada. Acha que é qualquer um que faz isso?
-Nunca ouviu falar em crime organizado? Não precisa ser serial killer para ser inteligente. Bem, conversaremos sobre isso em outra hora.
Crime organizado normalmente se trata de várias pessoas que trabalham num único crime, seja ele sobre assalto, sequestro, tráfico e até assassinato. Se o Dark Messenger na verdade for um crime organizado, eu realmente não terei modos de escapar do jogo sem matar pessoas inocentes, afinal, seria uma mente contra várias e aquela mulher seria apenas uma peça dos cabeças do jogo. No fim, entregá-la à polícia pode ser um dos seus planos e ela pode estar envolvida em algum outro jogo que o real Dark Messenger criou para que ela fizesse exatamente o que ele planeja para me encurralar e continuar a saciar sua sede.
Será que finalmente estou no caminho certo? Trata-se realmente de um crime organizado extremamente trabalhado ou de um fantástico serial killer se desenvolvendo na cidade? Só há um meio de saber: procurando uma vítima inocente mas que não faria tanta falta quanto alguém importante.
-Quem posso escolher...? - pensei - Bernado parece ser interessante, mas ele é o cara mais barulhento dessa sala, todos sentiriam a falta.
Olhei em volta e logo notei um estudante que nunca havia percebido, chamado John.
-Está decidido. - pensei.
No fim do dia e da aula, virei-me para John e tentei inventar algo para fazê-lo conversar comigo.
-John... O que achou da aula?
-...Por que perguntas?
-Sei lá, você ficou muito quieto, isso é estranho.
-Não, não sou um serial killer, esqueça disso.
-Não... Er... Estou com pressa... Se importa se conversarmos por e-mail?
-Na verdade sim, importo-me e muito. Mas se você deseja mesmo terminar essa conversa, meu e-mail está nesse papel - respondeu enquanto me passava um papel com algo escrito - Tenha uma boa noite, senhor Ichirou.
John parecia estar nervoso por eu conversar sobre Serial Killers com ele, o que me fez pensar que tivesse alguns problemas mentais em relação a eles, mas, melhor nem analizar, afinal, ele já está bem próximo do seu fim.
Ao chegar em casa, liguei o notebook e enviei o e-mail de John para o Dark Messenger, contendo:

"john.squadkill@hotmail.com,
morrerá às 07:00 ao ser esfaqueado 11 vezes em frente ao
colégio."
A idéia é óbvia. Assim, teria uma grande chance de que o assassino fosse capturado e, caso eu recebesse a mensagem, eu finalmente saberia se trata-se de um crime organizado ou um Serial Killer. Agora, apenas tenho que esperar pelo dia seguinte. Desliguei o notebook e deite-me em minha cama.
-Espero que dê tudo certo. - pensei, antes de dormir.
-[CONTINUA]-
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20 de fev. de 2010

Capítulo II - Alimentando o Caçador

Talvez não seja a melhor maneira de se viver, mas já não há outra opção. Vou viver matando pessoas até ganhar o jogo onde me meteram, ou melhor, onde o Dark Messenger me meteu.
Não gosto de pensar que vou definir quem será assassinado e quem ficará vivo, por isso é lógico que vou querer matar apenas quem merece morrer. Tentei pensar em criminosos, mas nenhum me vem em mente, afinal, nem tenho ligação alguma com policiais ou pessoas que trabalhem com coisas do gênero. Posso até conhecer o nome de alguns, mas, e o e-mail? Será que criminosos têm endereço eletrônico? Esse, de fato, será um jogo bem difícil de se jogar.

Prosseguindo ao meu raciocínio, cheguei à conclusão de que eu deveria caçar criminosos virtuais, os famosos hackers ou os que usam a internet para afetar a realidade. Será que dava para mandar o e-mail para o Dark Messenger para ver se ele se matava? É uma idéia estranha, porém arriscada. Tentei pensar em mais coisas, mas acabei caindo no sono, já era muito tarde da noite para ficar pensando.
A lua transparece, o sol retorna a queimar e a cidade aparenta ser calma. Sim, o amanhecer do dia é belo e pleno em Tóquio, quase como a chegada de um horizonte. Mas, eu ainda estava dormindo e o despertador não despertou, mais uma vez. Acordei apenas duas horas mais tarde, completamente atrasado para o colégio.
-Nossa, aluno que mora em frente chegando atrasado... Vai pegar mal... - pensei.
Decidi não ir pro colégio e mandar a desculpa de que fiquei doente. Só assim poderia continuar seguindo com uma boa imagem num colégio onde há apenas nerds pontuais.
Eu peguei o telefone e liguei para a casa do Lyu, já havia esquecido o que acontecera noite passada. Porém, uma mulher atendeu:
-Alô?
-Lyu está?
-Quem gostaria?
-É o Ichi, melhor amigo dele...
-Er... Senhor Ichi, seu amigo foi encontrado morto nesta casa. Ele aparenta ter sido esfaqueado em nove pontos fatais, o que leva-nos a crer que ele teve cerca de cinco segundos de vida após o massacre. O senhor sabe de algum problema onde o Lyu estava envolvido?
Eu não sabia o que fazer, depois de ela mencionar que o Lyu estava morto, lembrei de tudo da noite passada. Se eu mencionasse o e-mail, estaria quebrando uma regra e perderia o jogo, por tanto, tive que mentir.
-Não... Ele nunca me falou de problema algum.
-Então irei desligar. Meus pêsames por sua perda...
-Obrigado... - desliguei.
Isso me fez pensar: o Dark Messenger é um assassino real? Então ele age virtualmente e fisicamente? Significa que ele pode ser capturado caso eu mande-o matar uma pessoa que ele não consegue matar? Finalmente uma idéia interessante de se pensar.
Meu notebook já estava ligado, apenas o conectei na internet para encontrar algum site militar contendo o endereço de algum general ou de alguém com grande habilidade corporal.
Achei um endereço de e-mail que parecia ser de um cara que é faixa preta em Jiu-Jitsu, uma das grandes habilidades policiais.
-Perfeito. - pensei.
Agora só faltava um detalhe, re-passar o e-mail para o policial, conhecido como KP03. Bastava apertar um único botão do mouse para enviar o e-mail, mas eu estava muito confuso. Será que o policial conseguirá escapar? Será que o Dark Messenger saberá onde encontrá-lo? Em quanto tempo o policial lerá o e-mail? Espero não ter errado o alvo, porque ele deve ler para que eu não perca o jogo.
Enfim, enviei a mensagem. Agora já estava feito, agora bastava apenas esperar calmamente por alguma notícia de "Assassino preso" ou "Policial é encontrado morto". Mas, como saber quando o policial irá ler a mensagem? Talvez eu estivesse a espera do próprio Dark Messenger.
Ainda na internet, achei um programa legal de rastreamento via satélite. Ele pode mostrar o que se passa em outros locais com um foco bem legal, podendo até capturar imagens de assaltos e serviços secretos. A única coisa que não dá para ter é o áudio da região.
Baixei o programa e logo consegui encontrar a casa do KP03, para vigiá-lo. Ele acabara de chegar do departamento onde trabalha e parecia não estar sozinho, estava com uma mulher. Provavelmente a namorada, pois no site não dizia que ele era casado. Deixei o fato passar e, um pouco mais tarde, a mulher sai de casa, entra no carro e vai embora. Não deu para ver o rosto da mulher e muito menos ter noção da cor de pele, por isso, não me incomodei em saber quem era.
Quando saí do programa, percebi que havia recebido um novo e-mail vindo do Dark Messenger.
Novamente, "Morte bem sucedida":
"Olá, Ichirou.
Parabéns pela sua segunda morte bem sucedida. A partir daqui, as regras
irão complicar mais o jogo.
6# Não procure por ajuda externa, nem por meio de trocadilhos;
7# Não envolva pessoas famosas, vigiadas ou agentes secretos;
8# A partir de agora, todas as mortes deverão ter uma conexão;

Aproveite as novas regras e tente se divertir, é para isso que serve o
jogo!
Atenciosamente,
D.M.
"

Não sei como isso irá acabar, não sei se vou perder ou ganhar. Só que agora tenho uma ótima pista: Dark Messenger é uma mulher. Fazendo uma análise da morte de Lyu, ele havia mencionado ter visto uma mulher sendo molestada no trem que o levava para sua casa. Seria a mesma mulher que matou o KP03?

-[CONTINUA]-

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19 de fev. de 2010

Capítulo I - Ciclo da morte

Ainda estava de férias quando recebi um estranho e-mail, escrito por alguém apelidado como "Dark Messenger", entitulado "Você foi escolhido!", mas, não o abri, preferi jogar Perfect World até a hora de dormir. E assim foi até o fim das férias e só não prosseguiu porque quando começou a primeira unidade escolar, parei de jogar.

No primeiro dia de aula, não houve aula, apenas apresentações dos renomados professores e dos novos alunos. Aproveitei o blábláblá do dia para ligar meu notebook e ler o e-mail do Dark Messenger:
"Olá, Ichirou.
Você foi escolhido para dar continuidade ao ciclo da morte.
Para fazer isso, existem apenas dois meios:
1- envie-me o endereço de e-mail da próxima vítima;
2- re-passe esta mensagem para a próxima vítima;
No primeiro meio, você poderá escolher a maneira como a vítima morrerá e
até mesmo o horário. Já no segundo, a vítima receberá minha visita e eu terei o
prazer de matá-la.
Obviamente, existem algumas regras. Você as receberá depois da sua primeira
morte, ou seja, não há regras na primeira.
Bom proveito!
Atenciosamente,
D.M.
"

Quando terminei de ler o e-mail, tive uma séria crise de risos em plena aula. Não acreditei que alguém pudesse perder tempo escrevendo um e-mail desses e também não imagino o objetivo e nem porque fui escolhido para tal gozação.
Meu amigo, Lyu, ficou interessado, pois nunca me viu rir do nada. Ele sabia que deveria ser algo muito idiota e consequentemente engraçado.
-Ah, vamos, Ichi, eu quero saber!
-Tem certeza? É perigoso demais, você pode acabar morrendo! - falei enquanto ria de maneira absurda.
-Manda pro meu e-mail.
-Beleza.
O fato de estudar em Tóquio me dava a liberdade de utilizar notebooks em sala de aula, por isso, sempre estávamos conectados na internet. Devido à carga horária e a movimentação constante de dados, o professor nunca descobria que estávamos trocando e-mails, por isso, nem percebeu que re-passei o e-mail do Dark Messenger para o Lyu. Porém, pedi para que Lyu lesse somente em casa para evitar que ele atrapalhasse a aula.
O sol se põe, a lua transborda de luminosidade e a cidade muda de aspecto. Sim, a noite chegou, é hora de ir para casa. Eu moro em frente ao colégio e Lyu em outra cidade. Sempre que chega em sua casa, ele liga para mim para falar sobre as coisas esquisitas e paranormais que acontecem no trem que o leva até a outra cidade. Como de costume, atendi o telefone:
-Cheguei! - berrou Lyu.
-Foi mais rápido... Acho que bateu um record!
-Haha, engraçadinho. Hoje eu vi uma mulher sendo molestada...
-E não fez nada?!
-Eram quatro caras!
-Ah, fracote! Merece morrer mesmo. - ri.
-Nem brinca. Ah, falar em morrer, vou ler a mensagem!
-Leia em voz alta!
-Certo... "Você foi escolhido!"... Er... "Olá, Lyurin. Você foi escolhido para morrer.". Tuuuuu - a ligação cai.
Meu sangue ferveu e circulou mais rápido agora do que em qualquer outro dia de tensão. Como será que um e-mail alterou-se repentinamente e sozinho? Eu tentei ligar desesperadamente para o Lyu, para saber se ele estava bem, mas a ligação caiu diretamente no serviço de caixa postal, o que significava que não havia rede telefônica disponível na casa dele. O celular aparentava estar desligado e ele não estava on-line nos servidores de bate-papo. Quando olhei o meu e-mail, havia recebido uma nova mensagem do Dark Messenger, entitulada "Morte bem sucedida.".
-Onde eu me meti...? - pensei.
"Olá, Ichirou.
Sua primeira vítima já foi assassinada. Como prometido, segue abaixo
algumas regras que devem ser seguidas à risca:
1# Nenhuma regra pode ser quebrada;
2# Nunca mencione este e-mail;
3# Para que a morte seja bem sucedida, a vítima deverá acessar o e-mail no
máximo em 3 dias;
4# Você deve ter no mínimo uma vítima a cada 4 dias;
5# Não permita que ninguém mais utilize este e-mail;
Se alguma destas regras for quebrada, você será assassinado. Conforme mais
vítimas forem mortas, mais regras virão. Encare isso como um jogo onde não há
possibilidade de desistir ou parar de jogar. Se ganhar, outra pessoa será
escolhida para continuar o ciclo da morte. Se perder, poderemos nos conhecer,
haha.
Atenciosamente,
D.M.
"

Meus olhos encheram-se d'água, pois esse e-mail não apenas cofirmou que não se tratava de uma brincadeira infantil e sem graça de algum infeliz, como também confirmou que meu melhor amigo de fato está morto. Não sei o que fazer, nem como reagir. Só sei que me meti em um jogo onde matar é minha única sobrevivência.

-[CONTINUA]-
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